terça-feira, 14 de abril de 2009
domingo, 12 de abril de 2009
As noites de Amanda
Amanda não gosta de dormir.
mas esta noite o quer fazer.
e como quem vai deitar
em um berço póstumo,
deixa seu último alento:
“Estou em dor.
me sinto desamparada,
abandonada,
sozinha.
a lua é minha única
companhia.
e ela chora comigo.
no meu peito
um aperto sem fim.
uma angustia
que segura a respiração,
que desconstrói o tempo,
que remexe a estrutura da poesia.
e dela,
como sangue
que escorre do espinho,
homenageia a tolice do amor.
novos rumos esperam.
mas me sinto sem rumo.
a aurora é inevitável.
amanhecer um martírio.
o dia inteiro para viver
este cigarro que não cessa,
este sorrir que não ilumina,
esta água que inebria.
até a lua
parece estar
cheia de mim.
conto uma estrela por lagrima.
a noite esta estrelada.
os olhos caem em desespero.
confundem desconsolo e sono.
desesperadamente preciso dormir...”
E sob a luz apagada do abajur,
Amanda desfalece no seu sono.
mas esta noite o quer fazer.
e como quem vai deitar
em um berço póstumo,
deixa seu último alento:
“Estou em dor.
me sinto desamparada,
abandonada,
sozinha.
a lua é minha única
companhia.
e ela chora comigo.
no meu peito
um aperto sem fim.
uma angustia
que segura a respiração,
que desconstrói o tempo,
que remexe a estrutura da poesia.
e dela,
como sangue
que escorre do espinho,
homenageia a tolice do amor.
novos rumos esperam.
mas me sinto sem rumo.
a aurora é inevitável.
amanhecer um martírio.
o dia inteiro para viver
este cigarro que não cessa,
este sorrir que não ilumina,
esta água que inebria.
até a lua
parece estar
cheia de mim.
conto uma estrela por lagrima.
a noite esta estrelada.
os olhos caem em desespero.
confundem desconsolo e sono.
desesperadamente preciso dormir...”
E sob a luz apagada do abajur,
Amanda desfalece no seu sono.
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Vamos brincar...
Vamos brincar
de melodias perdidas,
notas intrínsecas,
rimas malditas,
poesias sem rima,
musicas abatidas.
Vamos brincar
de poesias anarquistas,
musicas sem vida,
notas retorcidas,
rimas escapulidas,
melodias esquecidas.
Vamos brincar
de musicas partidas,
rimas escondidas,
notas esculpidas,
melodias ridiculas,
poesias manuscritas.
Vamos brincar...
de melodias perdidas,
notas intrínsecas,
rimas malditas,
poesias sem rima,
musicas abatidas.
Vamos brincar
de poesias anarquistas,
musicas sem vida,
notas retorcidas,
rimas escapulidas,
melodias esquecidas.
Vamos brincar
de musicas partidas,
rimas escondidas,
notas esculpidas,
melodias ridiculas,
poesias manuscritas.
Vamos brincar...
quinta-feira, 2 de abril de 2009
por que a gente é assim?
eu não gosto de dormir.
a noite inteira para sofrer
e tanta gente preferindo dormir.
acho que dormir
é um desperdiço de sofrimento.
tanta estrela no céu
brilhando como lagrima
e tem gente sonhando
um sonho vão que acaba,
um sonho vão que se dissolve
na fronha com baba.
eu não.
prefiro ficar aqui,
com meu texto e minha dose.
com minha dor e minha tosse.
decifrando a esfinge
que há em mim.
deforando-me a cada enigma,
a cada poesia que me intriga.
eu sei,
eu sou assim.
as vezes o avesso de mim mesmo,
a retorica de meu proprio texto.
mas fazer o que?
se é para ser,
que eu seja assim mesmo,
ideal de mim,
resultado da soma
das duas pontas
de um mesmo fim.
um brinde noturno ao amor.
e para toda a dor
que há no amor.
e só assim
que eu sei ser (in)feliz.
não sei se eu consigo
ser de outro jeito...
a noite inteira para sofrer
e tanta gente preferindo dormir.
acho que dormir
é um desperdiço de sofrimento.
tanta estrela no céu
brilhando como lagrima
e tem gente sonhando
um sonho vão que acaba,
um sonho vão que se dissolve
na fronha com baba.
eu não.
prefiro ficar aqui,
com meu texto e minha dose.
com minha dor e minha tosse.
decifrando a esfinge
que há em mim.
deforando-me a cada enigma,
a cada poesia que me intriga.
eu sei,
eu sou assim.
as vezes o avesso de mim mesmo,
a retorica de meu proprio texto.
mas fazer o que?
se é para ser,
que eu seja assim mesmo,
ideal de mim,
resultado da soma
das duas pontas
de um mesmo fim.
um brinde noturno ao amor.
e para toda a dor
que há no amor.
e só assim
que eu sei ser (in)feliz.
não sei se eu consigo
ser de outro jeito...
domingo, 29 de março de 2009
Os Insetos Interiores
a futilidade encarrega-se de maestra-los.
São inóspitos.
Nocivos.
Poluentes.
Abusam da própria miséria intelectual,
das mazelas vizinhas, do câncer e da raiva alheia
o veneno se refugia no espelho do armário - lembrou um deles.
o ninho deve estar infectado! – lembrou outro.
Antes do sono: o beijo de boa noite.
Antes da insônia: a benção.
Arriscam a partilha do tecido que nunca se dissipa: a família.
São soníferos...
Chagas sem curas.
Não reproduzem. são inférteis, infiéis, infertebrados.
Arrancam as cabeças de suas fêmeas.
cortam os troncos
Urinam nos rios
E na soma dos desagravos, greves e desapegos,
esquecem-se de si.
Pontuam-se.
A cria que se crie!
A dona que se dane!
Os insetos interiores proliferam-se assim... na morte e na merda.
Seus sintomas?
Um calor gélido e ansiado na boca do estomago
a sensação de... ? O que é mesmo que se passa?
Um certo estado de humilhação conformado parece bem vindo e quisto.
É mais fácil aturar a tristeza generalizada que romper
com as correntes de preguiça e mal dizer
Silenciam-se no holocausto da subserviência,
O organismo não se anima mais.
E assim, animais ou menos assim...
Descompromissados com o próprio rumo,
desprovidos de caráter e coragem
desatentos ao próprio tesouro...
Caem.
Desacordam todos os dias
não mensuram suas perdas e imposturas!
Não almejam.
Não alma.
Já não mais amor.
Assim são:
Os insetos interiores
Fernando Anitelli
O Teatro Mágico
São inóspitos.
Nocivos.
Poluentes.
Abusam da própria miséria intelectual,
das mazelas vizinhas, do câncer e da raiva alheia
o veneno se refugia no espelho do armário - lembrou um deles.
o ninho deve estar infectado! – lembrou outro.
Antes do sono: o beijo de boa noite.
Antes da insônia: a benção.
Arriscam a partilha do tecido que nunca se dissipa: a família.
São soníferos...
Chagas sem curas.
Não reproduzem. são inférteis, infiéis, infertebrados.
Arrancam as cabeças de suas fêmeas.
cortam os troncos
Urinam nos rios
E na soma dos desagravos, greves e desapegos,
esquecem-se de si.
Pontuam-se.
A cria que se crie!
A dona que se dane!
Os insetos interiores proliferam-se assim... na morte e na merda.
Seus sintomas?
Um calor gélido e ansiado na boca do estomago
a sensação de... ? O que é mesmo que se passa?
Um certo estado de humilhação conformado parece bem vindo e quisto.
É mais fácil aturar a tristeza generalizada que romper
com as correntes de preguiça e mal dizer
Silenciam-se no holocausto da subserviência,
O organismo não se anima mais.
E assim, animais ou menos assim...
Descompromissados com o próprio rumo,
desprovidos de caráter e coragem
desatentos ao próprio tesouro...
Caem.
Desacordam todos os dias
não mensuram suas perdas e imposturas!
Não almejam.
Não alma.
Já não mais amor.
Assim são:
Os insetos interiores
Fernando Anitelli
O Teatro Mágico
sábado, 21 de março de 2009
zero e trinta e dois
Desde que o outono começou tenho os olhos perdidos, vidrados, no vazio que deixam as folhas que caem. Como que procurado a mim mesmo, questiono-me sobre o vazio que há em minha vida. E as folhas, Mario, ainda caem. Melancolicamente caem.
Fico sentado no parapeito da janela, de frente pra noite, vendo os apartamentos á frente e suas sacadas viradas para o oeste e me perguntando “por quê”? Não que eu sempre tenha uma pergunta armada, pronta para acertar uma pequena depressão. Mas acontece que as respostas que antes aqui estavam derreteram-se com o gelo das ultimas doses. E não que eu queira ter certeza de tudo, mas que está cada vez mais difícil entender, isso está! É como tentar explicar a cor azul do céu em dias nublados. Não é apenas a falta que você me faz, embora sentir tua falta seja a sede que minha poesia bebe entre os cálices e as doses que me amparam. Acontece que há também esta inútil necessidade de sentir-se útil.
Queria por um instante, um instante do tempo relativo de Einstein, sumir de mim mesmo e deixar-me esquecer de tudo aquilo que sou ou que fui e recomeçar. Como o polén que faz nascer uma nova flor, após desprender-se do bico do beija-flor. Eu me acomodaria, em silêncio, nos teus braços e deixaria que a tarde passasse com a pressa dos goles que se bebem na ultima cerveja que se serve. Não protestaria ante as resoluções cômodas e insensíveis de uma sociedade que não enxerga mais além de que seu próprio passo individual (como se não caminhássemos todos para o mesmo eterno morrer coletivo da vida carnal). Tornaria as coisas mais simples antes mesmo de compreender o que é a simplicidade das coisas. Não haveria regra, ideologia ou poesia de solidão de sábados a noite, por que, nestas noites, eu estaria nas sacadas dos edifícios que apontam para o oeste fumando meu cigarro, enquanto nosso anjo Gabriel já sonha no mundo dos sonhos infantis. Depois, o beijo tenro teu e a luz que se apaga. Por que nosso pecado é só nosso...
Eu sei! Romântico demais.
Mas acontece. É outono e no outono todos os caminhos são amarelos e todos os poemas são românticos e melancólicos.
Assim como as folhas que caem, Mario.
Assim como esta dor que nunca passa...
Fico sentado no parapeito da janela, de frente pra noite, vendo os apartamentos á frente e suas sacadas viradas para o oeste e me perguntando “por quê”? Não que eu sempre tenha uma pergunta armada, pronta para acertar uma pequena depressão. Mas acontece que as respostas que antes aqui estavam derreteram-se com o gelo das ultimas doses. E não que eu queira ter certeza de tudo, mas que está cada vez mais difícil entender, isso está! É como tentar explicar a cor azul do céu em dias nublados. Não é apenas a falta que você me faz, embora sentir tua falta seja a sede que minha poesia bebe entre os cálices e as doses que me amparam. Acontece que há também esta inútil necessidade de sentir-se útil.
Queria por um instante, um instante do tempo relativo de Einstein, sumir de mim mesmo e deixar-me esquecer de tudo aquilo que sou ou que fui e recomeçar. Como o polén que faz nascer uma nova flor, após desprender-se do bico do beija-flor. Eu me acomodaria, em silêncio, nos teus braços e deixaria que a tarde passasse com a pressa dos goles que se bebem na ultima cerveja que se serve. Não protestaria ante as resoluções cômodas e insensíveis de uma sociedade que não enxerga mais além de que seu próprio passo individual (como se não caminhássemos todos para o mesmo eterno morrer coletivo da vida carnal). Tornaria as coisas mais simples antes mesmo de compreender o que é a simplicidade das coisas. Não haveria regra, ideologia ou poesia de solidão de sábados a noite, por que, nestas noites, eu estaria nas sacadas dos edifícios que apontam para o oeste fumando meu cigarro, enquanto nosso anjo Gabriel já sonha no mundo dos sonhos infantis. Depois, o beijo tenro teu e a luz que se apaga. Por que nosso pecado é só nosso...
Eu sei! Romântico demais.
Mas acontece. É outono e no outono todos os caminhos são amarelos e todos os poemas são românticos e melancólicos.
Assim como as folhas que caem, Mario.
Assim como esta dor que nunca passa...
quarta-feira, 18 de março de 2009
Paramaral
Ah, meu amor,
Você é meu sonho distante
E minha insonia presente.
Meus olhos brilham pela
Lembrança que é tua
E meu sorriso sorri
Pela presença que vem de ti.
Nada mais,
Senão,
Saudade.
Para cada noite de embriagues
uma nova poesia.
Não mude,
Apenas se incomode.
És os versos madrigais
Sobre minha saudade diurna...
Você é meu sonho distante
E minha insonia presente.
Meus olhos brilham pela
Lembrança que é tua
E meu sorriso sorri
Pela presença que vem de ti.
Nada mais,
Senão,
Saudade.
Para cada noite de embriagues
uma nova poesia.
Não mude,
Apenas se incomode.
És os versos madrigais
Sobre minha saudade diurna...
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