sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Dialética

É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizivel emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que sou triste...

(Vinicius de Moraes - Montevidéu, 1960)

domingo, 8 de fevereiro de 2009

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E de repente eu percebo que todas estas horas que tricotei enquanto esperava por ti, viraram uma colcha de retalhos do tempo que me esconderam do sol...

Metáforas

Você que não entendeu a metáfora:
quando lhe disseram que a paixão
era tal qual a rosa do jardim,
era para que soubesses
que é preciso rega-la...

compêndio

o amor
é um enfarto do pleonasmo.
é a carta de um suicida.
é o sangue que escorre pelo espinho da rosa.

o amor
é usar da insonia seu fel.
é usar da espera o seu martirio.
é usar do peito a sua dor

o amor
é a pretensão de quem sofre.
é a improbabilidade de quem aposta.
é a resposta de quem não pergunta.

o amor
é o resultado do ócio.

Suicidio

- wreoiypnncuqy2bowb!!!!
atiraran-se desesperados os dedos sobre o teclado.
ah, já era tempo - coitados!

minhas possibilidades de poesia
estão se suicidando.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Rotina

Ele preparou tudo antes.
Arrumou o melhor local, a melhor bebida e não esqueceu das velas.
De moto, a encontrou na saida de seu trabalho.
Ela adimirou-o de susto. Não era isso que tinham combinado. Sairiam para tomar um café.
Ao vê-la boquiaberta estendeu-lhe o outro capacete e fez sinal para que o coloca-se.
- Coloque, vamos. Vamos sair da rotina.
Eles recem haviam se conhecido. Ou melhor, encontrado. Ela já sabia dele de antes, das passadas silenciosas no centro da cidade.
- Como assim? Ir aonde?
- Suba. Confie em mim, eu dirijo bem. Nem vamos correr. Apenas venha.
Dois motivos a faziam titubear. Pimeiro era que aquilo era totalemnte insano. Jamais haviam se relacionado antes. O fato dela saber da existencia dele não era motivo para que ela o conhecesse. E segundo por que o outro capacete era de uma grosseria, num estado desgastado e com sérias duvidas sobre sua segurança e sua estética. Afinal de contas, ela trabalhava em lugar "charmoso". Não poderia sair do trabalho com um capacete daqueles.
- Venha. Logo o sol se esconde a perderemos o brilho do dia, vamos.
- Mas a gente tinha combinado de ir tomar um café. Tu tem uma reunião em uma hora e meia.
- A reunião foi cancelada. Eu cancelei. Não é todos os dias que se vive, é cada dia. Coloque o capacete e suba. Você vai gostar.
Algo nos olhos dele lhe traziam confiança. Respirou e olhou o capacete. Voltou os olhos pra ele. Ele reinterou confiante.
- Sair da rotina. Vem.
Talvez se pudesse, ela diria "foda-se. por que não? é sempre esta mesma coisa, mesmo. Acho que já está na hora de fazer algo diferente. Eu mereço. E estes olhos...", mas não disse nada. Apenas sorriu de canto de boca e colocou o capacete sobre o cabelo liso cuidadosamente penteado.
Ele sorriu largamente e colocou a bolsa dela sobre o ombro. Ela agarrou-lhe a cintura e num abraço confiante afirmou que estava pronta para sair da rotina.
Rumaram então pela cidade.
A luz da tarde pintava cada prédio, cada esquina, cada copa de árvore de laranja poente. A liberdade zunia pelos seus ouvidos quando ele pegou uma estrada paralela e começou a deixar os blocos cinza-alaranjados para trás. Aos poucos o ar foi mudando de tom e tornava-se esverdeado. Subiam. E quanto mais subiam, mais a tarde azul estedia-se novamente para eles. Os olhos dela brilhavam tal qual o sol. Estava admiada. Escorria-lhe uma lagrima, não se sabe se de emoção ou causada pelo vento que entrava pela viseira semiaberta do capacete. A poeira da estrada de chão deixava um rastro de cometa. Um cometa que realizava sonhos.
No topo mais alto do morro, pegou uma estrada perpendicular e parou ante uma porteira. Um senhor de calça jeans surrada e chapeu de palha na cabeça correu para abrir-lhes o caminho. A moto seguiu por um pequeno trilho de estrada e foi estacionar no topo, ao lado de uma figueira, a frente do horizonte poente que se atirava até onde os olhos podiam enxergar e deixava a cidade e as suas pessoas sem tempo tão pequeneninhas, que até parece que o proprio tempo as tenha esquecido em algum lugar no passado. No pé da árvore uma toalha branca abaraçava a grama verde e sobre ela repousavam uma garrafa de água, uma garrafa de vinho tinto, dois copos, duas taças, uma tábua com queijos e um pequeno arranjo de flores com velas. Ao lado uma pequena coberta de lã e dois travesseiros.
Ela desceu da moto estasiada. Retirou lentamente o capacete enquanto observava iluminada a vista que se pintava tal qual um quadro de Monet. Ele abriu o vinho, serviu as duas taças e parou cumplice ao lado dela. Estendeu-lhe uma taça e disse sorrindo com o sorriso dela.
- Bebamos esta noite.
Ela segurou a taça com a mão esquerda e sorriu-lhe com os olhos úmidos, agora sim de emoção.
A tarde espreguiçou-se para eles e a noite embreagou seus sonhos.
Para eles já não havia mais rotina.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Dindi

de quanto em quanto tempo, oh dindi,
eu sofro por este motivo, sublime, dizem,
que me assola pelo silencio que vem de ti?

de quando em quando, acredite em mim,
eu passo á esperar por ti, oh dindi?

Há quem diga que sou louco
que não deveria amar-te tanto assim.

mas o que posso responder, se não escolho
sendo que a poesia que é tua
nasce como uma flor num jardim?

estou aqui por ti, para ti e de ti.
não sou um. sou eu.
eu que, mesmo sem eira,
vivo na beira para te ver feliz...